O sétimo dia- “Crônicas no Canadá-30 dias na Terra do Maple”

Eu entrei na rotina aqui em Montreal. Acordo por volta das 7 da manhã, bebo várias xícaras de café solúvel e sigo para minha caminhada matinal até o curso BLI Canada. A cada dia eu percebo minha fluência aumentando e é tão bom quando somos elogiados por nativos!As aulas são intensas, mas não cansativas. O método deles é muito eficiente, interativo e exige dedicação 100%. Além do aprendizado em aula, todos os dias tem muito dever de casa. Eu acho que até já contei para vocês que levo em média 2 horas para fazer todas as tarefas.

 

Depois da rotina de estudo, eu fui me aventurar a ir de ônibus de Montreal à Ottawa, a capital do Canadá. Lá, eu fui rever Theressa, uma grande amiga, na verdade uma irmã canadense que morou com minha família por vários meses no Rio de Janeiro. Sobre o reencontro, eu conto amanhã. Minha primeira vez em um ônibus no Canadá foi uma boa surpresa. Acho que como muitos que estão lendo este blog,  fazer comparação são algo imediato. Eu estava com receio de ir até a rodoviária porque a imagem que vinha à cabeça era a rodoviária do Rio de Janeiro e todo caos que companha. Felizmente, nunca estive tão errada.

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O metro é muito organizado e os trens são pontuais.

Eu havia feito uma pesquisa básica na internet e confesso que me perco com facilidade aqui em Montreal. O BLI fica ao lado da Basílica de Notre- Dame e bem perto da estação do metrô de Place D´armes. Havia visto que deveria pegar o metro em direção à Berri-Uqam, estação da Universidade de Quebéc em Montreal e então, eu fui sem medo. A vantagem aqui é que os canadenses são muito atenciosos e param para prestar ajuda. Desta vez, eu não tive que incomodar ninguém. Foi fácil. Depois de três estações, eu cheguei à Berri-Uqam.

Na Berri-Uqam tem muitas placas, em inglês e francês, e consegui ir direto ao guichê dos ônibus.  Lá, eu paguei 61 dólares, uns 160 reais, pela passagem ida e volta. Quando a gente faz a conversão parece caro, contudo para o canadense é uma passagem barata, mais barato do que ir de trem. Foi uma pontualidade só. Como a moça do guichê avisou, o ônibus chegou às 13h45 min. Descobri que não havia lugar marcado. O que me chamou a atenção foi o espaço entre as cadeiras, eu pude esticar bem minhas pernas. Adorei descobrir que no ônibus tem wi-fi e vários pontos de recarga de celular.

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Pontualidade  canadense é 100%

A viagem foi muito boa. As rodovias aqui no Canadá parecem um tapete e não há solavancos por estar passando por cima de algum buraco na estrada. Havia pensado em descansar na viagem, só que com a internet, eu fiquei respondendo aos e-mails. Entre uma mensagem e outra, eu olhava a paisagem. O Canadá é realmente um país lindo, com florestas preservadas, povo educado e que recebe de braços abertos quem chega. Após duas horas e meia, eu cheguei em Ottawa.Eu chorei ao rever Theressa e só te conto tudo amanhã!

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Algumas amizades são eternas

O sexto dia- “Crônicas no Canadá-30 dias na Terra do Maple”

 

 

Hoje pode dizer que foi um dia de descobertas. Acordei cedo, fui a pé para minhas aulas no BLI Canada e tudo foi de acordo com o programado. No curso, eu percebo minha fluência aumentando a cada dia. Acho sensacional perceber que estou com o inglês automatizado no meu cérebro. Tecnicamente, eu não vou ser capaz de explicar, contudo o que quero transmitir é que consigo conversar sem pensar na estrutura da frase, ou seja, de maneira natural.

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A simpática colombiana Mirza e a excelente professora Siddiqa.

O sucesso deste meu aprendizado se deve aos colegas de turma em grande parte. Os professores no BLI são excelentes e com uma experiência incrível no ensino do inglês aos alunos estrangeiros, porém com um grupo de colegas motivados, tudo parece mais fácil. Mirza, uma adolescente colombiana, é uma das mais entusiasmadas. Outro colega que faz toda a diferença é o Mark Sun. Ele é um executivo chinês e me contou sobre a “descoberta” do Facebook. Meus queridos leitores, o uso da internet é regulado na China e as redes sociais são proibidas. Para mim, para você, pode até parecer banal enviar uma foto ou fazer um comentário em uma mensagem. Para os chineses, ainda é um sonho distante. Eles só podem acessar, criar perfis, quando estão no exterior.

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O chinês Mark e as novas tecnologias

 

Depois da aula, eu fui finalmente conhecer a cidade subterrânea de Montreal, que é chamada em inglês de Underground City. Vocês já ouviram falar? São 32 quilômetros de conexões e mais centenas de túneis. O metro de Montreal começou a funcionar nos anos de 1960 e fiquei fascinada de andar embaixo dos trilhos. Tem de tudo. No início, eu pensei que era só um shopping e lojas, só que é bem mais do que isso. Apartamentos, hotéis, universidades, escolas, tudo o que uma cidade precisa. De acordo com o governo de Montreal, por dia, mais de 500 mil pessoas transitam pela  Underground City, uma obra-prima da arquitetura moderna.

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São escadas e mais escadas na cidade subterrânea

Durante o meu passeio na Underground, o meu celular descarregou a bateria. Para minha surpresa, vários carregadores públicos estão à disposição de quem visita o local. Só que tem um detalhe: para ter energia, só pedalando. Achei bem divertido, diferente e estimulante.

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Pedalei 10 minutos para conseguir recarregar a bateria do celular.

Realmente, o Canadá é um país fantástico!

Beijos da Rô!

 

 

O quinto dia- “Crônicas no Canadá-30 dias na Terra do Maple”

 

O dia amanheceu em Montreal com frio e sol brilhando. Nada de céu cinzento e a chuva que marcaram o dia anterior. Depois de várias xícaras de café solúvel, eu fiz minha caminhada até o BLI Canada. Assim que cheguei aqui, andar no frio me deixava realmente incomodada. Sentia umas pontadas no ouvido, porém agora o corpo não estranha mais. Afinal, sair de um calorão no Rio de Janeiro e entrar no frio de Quebec pode ser um choque térmico.

As aulas do BLI são bem dinâmicas para não deixar que o aluno fique entediado e sem ritmo. Fazer um intensivo não é fácil. Além das aulas na escola, a quantidade de deveres para casa, o homework, é grande. No mínimo são 2 horas de estudo, pelo menos essa tem sido minha média de tempo. Quero contar para vocês como achei interessante o professor Zachary usar um jogo simples, o jogo da velha ou tic-tac-toe em inglês, para estimular o raciocínio e “soltar a língua”. O exercício foi em dupla. Cada aluno tinha de completar uma frase, de maneira correta e rápida. O jogo faz com que você seja obrigado a falar no automático.

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O jogo da velha em inglês

Quando saí do BLI Canada, eu tive um compromisso bem especial. Fui participar de um seminário sobre economia no Canadá. Foi a segunda edição do SEBQ – Seminário sobre Empreendedorismo Brasileiro no Quebec e o evento foi promovido pelo Consulado do Brasil em Montreal. A ideia do encontro no Centre d’Integration et Culture Lusophone (CICL) foi estimular parcerias e a participação da mulher brasileira no mercado formal canadense. É interessante ouvir histórias de quem veio como imigrante e hoje faz parte do empresariado local. Entre as palestras, uma pedagoga, Dilma Barbosa do Chef Samba International ,que investiu em um dos mais famosos salgadinhos brasileiros, a coxinha, e virou mania em Montreal. Eu admiro muito quem tem coragem. Não é fácil mudar de país, aprender outra língua, outra cultura e abrir um negócio próprio.

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A reunião de empreendorismo. 

O consulado tem um setor que apoia quem quer abrir um negócio nestas terras geladas. Além de uma boa ideia, qualquer pessoa que pense em abrir um negócio aqui tem de falar francês e ser residente permanente.  O que não é tão simples assim. Vou deixar este link-http://www.sajemontreal.com- que é do SAJE , uma espécie de Sebrae do Canadá, onde tem um núcleo de apoio aos brasileiros.

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Eu e a diplomata brasileira Larissa Lacombe.

Um beijo da Rô.

O quarto dia- “Crônicas no Canadá-30 dias na Terra do Maple”

 

“So, that was the day”. Hoje, foi o início do meu curso intensivo de inglês no BLI Canada. Como já havia contado, eu estava ansiosa para o início das aulas. É que gosto muito de estudar, de ler, de aprender coisas novas, e sempre quis fazer parte de uma escola internacional. Então, vou contar detalhe por detalhe. Após xícaras de café solúvel, eu saí do EVO por volta das 7h30min. A vantagem da residência escolar é que é pertinho. Foram menos de 10 minutos de caminhada. O BLI fica na mesma rua da Basílica de Notre-Dame, na saída de uma estação de metrô.

Quando eu cheguei ao BLI,  fui recebida pelo professor Paul Smith, o diretor de estudos, que passou todas as orientações. Os alunos estão proibidos de falar qualquer língua que não seja inglês ou francês. O professor explicou que é a maneira de forçar a imersão do aluno. Quem descumpre a regra, leva um cartão amarelo de advertência ou um vermelho, que significa suspensão das aulas. Parece brincadeira, porém eles levam a sério. Para não contrariar ninguém, logo no meu primeiro dia de aula, só falei inglês o tempo todo. Vi uma moça tagarelando em espanhol. Achei uma bobagem a atitude da aluna. Afinal, se você investe em um intercâmbio, é para aprender. Se insistir em se comunicar em sua língua nativa, seu cérebro não vai se condicionar a “falar” em outro idioma de maneira natural, o que pode significar dinheiro jogado fora.

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Novos colegas de várias partes do mundo

Depois das explicações, professor Paul me desejou  parabéns e  feliz aniversário. Fiquei tão alegre. Passar o aniversário longe de casa, da família, dos amigos. Poderia ser triste, mas não foi. O um curso é um intensivo full time. Começou às 9 da manhã e foi até as 14 horas. No meu caso, foram três professores. É sensacional! A primeira aula foi com a Ashley, uma simpática canadense que ajudou a quebrar o gelo inicial. Foram quase duas horas de muita gramática, só que de um jeito tão leve que nem senti o tempo passar. Depois, foi a aula de Integrated Skills com o professor Zachary, em que várias habilidades, como leitura, compreensão oral e pronúncia, são incentivadas. Após um pequeno intervalo, prossegui com a aula de Communication Workshop, ministrada pela simpática Siddiga.

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Ashely, a mãe do ano do BLI

Eu achei o grupo de sete alunos fantástico. A sala de aula tinha diversidade, o que só faz  enriquecer. Um chinês de uns 30 anos, uma senhora israelense de cerca de 60 anos, meninas adolescentes do México e uma brasileira do Rio Grande do Sul são os meus colegas de classe. Cada qual de um canto do mundo, com uma cultura diferente, histórias de vida e o mesmo objetivo: falar inglês como um nativo. A aula terminou e voltei para o EVO. Hoje, o dia está tipicamente canadense com muita chuva, frio. Falam até em neve para mais tarde. Aqui, na residência, vou celebrar meu aniversário com um brinde de vinho canadense na companhia de alguns colegas. Mesmo longe das pessoas que amo, este dia de aniversário vai ficar guardado na minha memória e no coração.

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No BLI tem alunos de todas as idades

 

Beijos da Rô. Até amanhã!

 

 

O terceiro dia- “Crônicas no Canadá-30 dias na Terra do Maple”

O domingo no Canadá começou com sol e frio. Normalmente no Brasil, o frio sempre vem com chuva ou tempo nublado. Aqui não é assim! O sol brilha forte enquanto um frio de estremecer os ossos …

Fonte: O terceiro dia- “Crônicas no Canadá-30 dias na Terra do Maple.”

O terceiro dia- “Crônicas no Canadá-30 dias na Terra do Maple”

 

O domingo no Canadá começou com sol e frio. Normalmente, no Brasil o frio sempre vem com chuva ou tempo nublado. Aqui, não é assim! O sol brilha forte enquanto um frio de estremecer os ossos faz companhia. Hoje, foi o dia do passeio a convite do Tourisme Montreal, o órgão oficial de promoção do turismo na cidade. Eles oferecem aos jornalistas estrangeiros um presstour, uma visita guiada, aos principais locais de Montreal, a segunda maior cidade do Canadá. Depois de várias xícaras de café solúvel, eu desci até o lobby do EVO, onde uma simpática guia do Tourisme Montreal me aguardava. Digo bom dia em francês e ela responde em português. Foi a surpresa do dia. Minha guia foi a paulista Vera Khouri, que mora há quase 30 anos no Canadá.

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Vera Khouri: a brasileira que conhece Montreal com a palma da mão.

Fomos no carro dela. Apesar de ter chegado há três dias, com ela comecei a “perceber” Montreal. Qualquer cidade no mundo tem os seus encantos, mistérios e detalhes que só um olhar acostumado, de quem vive, consegue captar. Isso pode parecer até exagero de minha parte, entretanto eu acho que não. Como carioca, eu sei de lugares e histórias que não fazem parte do guia oficial do Rio de Janeiro. Leitor, qual a sua opinião sobre isso?

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Casas típicas de Montreal: puro charme.

Com a Vera, eu tive oportunidade de conhecer boa parte do centro histórico do Vieux-Montréal ou Montreal Velha. A palavra velha aqui não significa descuido, porém uma parte da cidade muito preservada e charmosa. A Praça das Armas, La place d’Armes, foi um dos pontos principais do nosso tour. Ao redor da praça fica a Basílica de Notre-Dame,  a qual, mais uma vez, só conheci de fora. A visitação não é rápida, o que vou fazer ainda nesta semana.

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Nas ruas de Montreal, milhares de ciclistas andam de bicicletas todos os dias

© Bixi 2016

O porto de Montreal é o point da badalação na cidade. Há pista para caminhada; espaço para brincar com cachorros e andar de bicicleta; e bares de todos os tipos e para todos os bolsos. Montreal é o local ideal para quem gosta de andar de bicicleta. As ciclovias formam uma extensa rede de conexões entre os vários pontos da cidade. Mesmo quem não tem uma bicicleta, tem o BIXI. O que é isso? O BIXI simboliza táxi e bicicleta em inglês. É um sistema de aluguel público. Por menos de três dólares canadenses, você pode alugar uma bike e andar quilômetros e quilômetros. Foi bonito ver uma cidade onde o ciclista é respeitado. Com as bicicletas, as ruas ficam mais coloridas, com pessoas alegres. Isso faz a maior diferença em relação ao ar que se respira.

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Tenho de voltar no inverno para poder esquiar

Depois de passear por vários bairros, o destino final foi o Parque Mont Royal (ou Monte Real em português). Por sinal, esse é o significado de Montreal. O parque é uma gigantesca área verde de mais de 200 hectares, com um mirante sensacional. Qual a altura? São 234 metros e uma vista panorâmica de toda a cidade. Como fomos na primavera, as montanhas de gelo já estavam derretidas. Havia pouca neve. Durante o inverno, o lago Beaver Lake se transforma em uma imensa pista de patinação no gelo.

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Respeitar os animais é regra número 1 do Parque Mont Royal

Então, leitores, assim foi meu terceiro dia. Estou aqui no EVO e tentarei fazer minha estreia na academia da residência. Eu gosto muito de esportes e vou pelo menos 3 vezes por semana na academia no Rio de Janeiro; porém, este frio me faz querer ficar embaixo da coberta. Xô preguiça! Amanhã, minhas aulas de inglês vão começar no curso BLI Canada. Eu tenho de estar lá antes das 8 da manhã. Prometo contar tudo, todos os detalhes,  para vocês.

 Beijos da Rô.

O segundo dia- “Crônicas no Canadá-30 dias na Terra do Maple.”

Depois de uma noite de sono reconfortante, o meu despertar veio com um problema: a necessidade imediata de um café. Como já contei para vocês, aqui no EVO tem uma cozinha compartilhada e lá …

Fonte: O segundo dia- “Crônicas no Canadá-30 dias na Terra do Maple.” Continuar lendo O segundo dia- “Crônicas no Canadá-30 dias na Terra do Maple.”

O segundo dia- “Crônicas no Canadá-30 dias na Terra do Maple.”

Depois de uma noite de sono reconfortante, o meu despertar veio com um problema: a necessidade imediata de um café. Como já contei para vocês, aqui no EVO tem uma cozinha compartilhada, e lá fui eu… Cada grupo de estudantes tem uma cozinha diferente, a minha fica no 5º andar. Quando entrei havia duas moças, uma americana e uma italiana, as quais me explicaram que não havia cafeteira,  usavam café solúvel. Juro que, neste momento, quase entrei em choque! Tenho uma necessidade emocional e física de tomar várias xícaras de café forte pela manhã, mas, como não havia jeito, eu aceitei. Então, leitores, caso venham para uma residência estudantil no Canadá, não se esqueçam da cafeteira. As melhores são aquelas para viagem, do tipo italiana. Muitas pessoas podem até dizer que café solúvel é café, porém, para mim, é outra coisa.

Hoje, ainda foi dia livre e sem compromissos ou agendas de aulas. Eu gosto muito de visitar igrejas por onde vou e sempre tive muita curiosidade de conhecer a Basílica de Notre-Dame de Montreal. A igreja dedicada à Virgem Maria foi fundada em 1672 e está excepcionalmente preservada. Além de ser um local de oração, tem um museu de peças sacras e fica bem perto do EVO, cerca de 5 minutos de caminhada. Ao chegar lá, uma surpresa nada agradável. Para entrar no local em estilo gótico, o visitante paga cinco dólares canadenses, em torno de 15 reais.  Em dias de missa, a entrada é gratuita. Como amanhã eu vou fazer um passeio com o Tourisme Montreal, decidi esperar e economizar.

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Notre-Dame: A bela igreja que só vi por fora

Gosto muito de conhecer as cidades para onde viajo a pé. Descobri que, aqui, em Montreal, tem uma Chinatowncom milhares de lojinhas, restaurantes e turistas do mundo inteiro. A região também é daquelas onde pode ser comprar de tudo e bem barato. Há várias lojas de lembrancinhas de turistas, com preço mais em conta do que na Rue Notre-Dame, onde estão a maioria dos comerciantes de souvenires.  Quem me deu a dica de Chinatown e dos restaurantes árabes para almoçar foi um colega da Espanha. Eu almocei  em uma lanchonete árabe. Foi um prato típico libanês com pita, cafta e falafel por 8 dólares canadenses, cerca de 21 reais. Percebi que, aqui, todos os restaurantes oferecem água no copo para os clientes. No Rio, nós temos uma lei sobre isso e raramente eu vi acontecer. Você sabia que os canadenses bebem a água direto da torneira? Não usam filtro como no Brasil, porque a água já vem pronta para o consumo.

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Leitores, vou ficar por aqui. A caminhada no frio me deixou com uma pontada de dor no ouvido e não paro de espirrar. Já tomei um antialérgico e agora vou tomar um banho quente de banheira. Chique, não é? A maioria dos lares canadenses tem banheiras. Tenho de ficar pronta para o passeio com os colegas do Tourisme Montreal. O governo canadense oferece para jornalistas internacionais um presstour, um passeio com guia para mostrar os encantos da cidade, entretanto isso vai ser nossa conversa de amanhã.

Um beijo grande da RÔ.

 

 

O primeiro dia – “Crônicas no Canadá: 30 dias na Terra do Maple”

Foram 16 horas de viagem. Sim, eu estou muito cansada, mas quero contar tudo para vocês.

Eu moro em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro. Até o aeroporto do Galeão foi muito tranquilo. Eu tento ser uma pessoa econômica a fim de que sobre dinheiro para os gastos pessoais. Rumei para o aeroporto de Uber. Foi a primeira vez que fiz uso do aplicativo. Gostei muito, muito mesmo. A corrida ficou em apenas 48 reais. Se eu tivesse pego um táxi, o custo seria de no mínimo 100 reais. Não sei onde vocês estão, mas no Rio os taxistas cobram pelas malas.

Vim para o Canadá pela Air Canada. Pode até parecer uma bobagem, porém prefiro sempre viajar pela companhia área do país. Se fosse viajar para a França, eu iria de Air France. Já fiz isso e amei. O serviço de bordo é impecável e com champanhe. Gente, eu amo vinhos! Na Air Canada, um fato me chamou muito a atenção: a equipe de comissários de bordo. Nada de jovenzinhas com cara de modelo. Eram senhoras e senhores atendendo com a maior eficiência e a elegância de quem tem anos de experiência. O serviço de bordo foi muito bom, com jantar e café da manhã. O café, para mim, foi um dos probleminhas. Como tomo sempre café extraforte, achei muito fraco, quase um “cháfé”. Outro ponto de que não gostei foi o ar–condicionado. Eu sou muito alérgica, tenho rinite. Parecia que já estávamos no Canadá  tamanho era o frio dentro do avião.  Para quem vai estudar no Canadá, viajar pela Air Canada tem muitas vantagens, como um desconto de 15% no valor da tarifa. A empresa tem um bilhete-estudante para quem tem entre 12 e 35 anos. Basta comprovar a inscrição em um curso. Simples e sem burocracia.

A organização da fila de imigração foi um dos destaques do dia. Tudo rápido, eficiente e sem problemas. Eu já viajei para vários países e nunca tive problema de visto negado; todavia, é sempre uma incógnita. No site da embaixada do Canadá, qualquer pessoa pode dar entrada no visto. Fiz tudo sozinha, sem despachante ou agência. Achei mais fácil e rápido do que tirar o visto para os Estados Unidos. O meu visto com validade até 2018 saiu em menos de 10 dias e paguei 280 reais diretamente ao governo canadense através de meu cartão de crédito. Vim para cá porque vou estudar inglês no BLI Canada, localizado em Montreal. Serão quatro semanas de intensivo em uma das mais conceituadas escolas de idiomas do mundo. Caros leitores, minha expectativa é enorme. Estou contando as horas para o início do curso. Acredito realmente que a educação é o caminho para um mundo melhor. Sempre há chance de aprender-se algo novo na vida.

Não quero me adiantar sobre as aulas. Vou conversar com vocês sobre o assunto na segunda-feira. Então, recapitulando, em Toronto, eu peguei uma conexão para Montreal. O intervalo foi de três horas, o que não configura nenhum sacrifício em se tratando do aeroporto de Toronto, semelhante a um shopping. Há lojas da MAC, da Mont Blanc e de várias grifes de luxo. Uma perdição para quem decidiu fazer um intercâmbio sem gastar muito.

Minha chegada a Montreal foi também uma nova experiência. Existe um sistema de transfer que trabalha em parceria com o meu curso de inglês; contudo, achei o serviço um pouco caro. Para ir me buscar no aeroporto, o valor seria de 120 dólares canadenses (CAD), ou seja, cerca de 360 reais. Uns dias antes da viagem, entrei em uma comunidade no Facebook chamada de “Brasileiros em Montreal”. Em qualquer lugar que se vá, sempre é bom ouvir as opiniões de quem está lá. Postei uma mensagem perguntando se alguém poderia me indicar um motorista para ir me buscar. Pelas minhas pesquisas, um táxi sairia entre 60 e 80 dólares canadenses e o Uber não pode parar no aeroporto (pelo menos foi o que me explicaram). Foi assim que eu conheci o Sidney Sidão, um veterinário do Recife que imigrou com a família para o Canadá. Aqui, o Sidney tem uma microempresa de transporte com muitos brasileiros como clientes. O serviço foi de primeira qualidade e a conversa, melhor ainda. Nada como ouvir de um “local” o que Montreal tem de bom ou de ruim. Vocês conseguem imaginar quanto foi a corrida? O preço foi de 45 CADs, algo em torno de 140 reais. Acredito que seja importante informar que de maneira nenhuma estou recomendando deixar o transfer indicado pela escola e pegar uma condução com alguém que se conheceu pela internet. Só estou contando a minha experiência. Eu já viajei muito, o que pode não ser o seu caso, leitor.

Com o Sidney, eu cheguei ao EVO. O que é isto, Rô? O EVO é uma residência universitária ao melhor estilo daquelas de filme americano. O público é independente. Cada um tem seu quarto, uma cozinha compartilhada e faz tudo. Tem lavanderia, academia de ginástica e várias aulas de ioga e pilates. Fica bem no centro de Montreal e tem uma das melhores localizações do mundo. O problema é que, se você está acostumado a ser paparicado e com tudo na mão, pode odiar este lugar. Comigo, foi amor à primeira vista.

Hoje, conheci gente da África, da Europa, da Austrália e, claro, daqui de Montreal. A loirinha que ofereceu um vinho para brindar à minha chegada é da Venezuela; entretanto, mora aqui há muitos anos. A Alexandra já é canadense. Andei um pouco e pedi informações em inglês e francês. Só posso dizer que é sensacional estar em uma cidade bilíngue. Eu tenho inglês fluente, mas meu francês é intermediário. Portanto, foi uma grata surpresa quando uma senhora elogiou minha pronúncia no idioma de Victor Hugo. Sou aluna da Aliança Francesa do Rio. Todos os canadenses foram muito simpáticos.

Assim foi meu primeiro dia.

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Ser recebida com sorrisos e  vinhos. Simplesmente, amei!

Estou muito cansada. Vou parar por aqui. Até amanhã!

Beijos da Rô.

 

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Este é o Sidney, que veio com a família em busca de uma vida melhor
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A academia do Evo. Ainda nem entrei lá.

Obs.:  Neste momento, já é manhã aqui em Montreal. Este texto deveria ter sido publicado ontem. Depois de um banho e das taças de vinho, eu simplesmente apaguei por causa do jet lag.

Crônicas no Canadá: 30 dias na Terra do Maple

Bom dia!

São 5h45min da manhã. A ansiedade não me deixa dormir… E eu deveria dormir mais. Hoje, é o grande dia. Vou finalmente conhecer o Canadá. Quero contar tudo para você em detalhes:  como é lá, as coisas de que gosto, de que não gosto,  os perrengues, os medos, as alegrias… Enfim, tudo!

Este é o post 0 do Crônicas no Canadá − 30 dias na Terra do Maple. Você sabe o que é o maple? É a folha que enfeita a bandeira do Canadá. Um orgulho para os canadenses. Eles fazem um xarope dessa folha, que se assemelha ao mel. Eu disse se assemelha. Não é mel, porque não é de abelha, mas a textura do xarope lembra o mel. Uma delícia! Até mais tarde!

Beijos da Rô